Se você está esperando o preço da memória RAM e do SSD cair para fazer aquele upgrade no PC, talvez seja a hora de rever os planos. Uma análise detalhada do GamersNexus aponta que as maiores fabricantes do setor encontraram uma forma de quebrar o histórico ciclo de queda nos preços, e quem paga a conta mais uma vez é o usuário comum.

O levantamento revela uma mudança de postura drástica no mercado. Gigantes como Micron, Samsung, SanDisk, Kioxia e Western Digital passaram a focar em contratos de longo prazo (LTAs) com um grupo seleto de clientes corporativos, em vez de depender das oscilações do varejo.

A Micron, por exemplo, confirmou o movimento ao destacar que 16 acordos estratégicos já cobrem cerca de 20% do volume de DRAM e um terço do volume de NAND Flash. Na prática, a produção é direcionada para data centers de inteligência artificial e serviços em nuvem, deixando pouca margem para o mercado consumidor.

RAM e SSD: o tamanho do estrago nos preços

A comparação de preços médios listados no PCPartPicker entre setembro de 2025 e o cenário atual ajuda a entender o tamanho do impacto no mercado:

• SSD NVMe de 2 TB: Salto de US$ 143,25 para US$ 340 (alta de 137%)

• SSD SATA de 2 TB: Subiu de US$ 112,33 para US$ 317,67 (alta de 183%)

• Kit de 32 GB de DDR5-6000: Foi de US$ 122,50 para US$ 567,50 (alta de 363%)

• Kit de 32 GB de DDR4: Subiu de US$ 61,50 para US$ 242,50 (alta de 294%)

• HDD de 16 TB: Subiu de US$ 350 para a casa dos US$ 800

No Brasil, os preços finais oscilam de acordo com câmbio, impostos e estoques locais, mas os percentuais funcionam como um termômetro claro. As memórias RAM sofreram reajustes ainda mais agressivos porque as linhas de produção de DRAM perderam espaço para a fabricação de memórias HBM, utilizadas em placas de vídeo e aceleradores corporativos de IA.

Contratos de longo prazo travam o mercado

O grande trunfo das fabricantes para manter os preços elevados é a previsibilidade garantida pelos contratos de longo prazo:

• Micron: 16 acordos ativos cobrindo grande parte do volume de DRAM e NAND, com prazos típicos de até cinco anos.

• SanDisk: Destinou 50% da produção prevista para 2027 e 67% de 2028 para acordos corporativos. Sua receita em data centers cresceu 1.298% em um ano, enquanto o setor de consumo caiu 5%.

• Kioxia: Estabeleceu a meta de ter 50% do seu volume coberto por contratos LTA até 2028.

• Samsung: Fechou parcerias com os cinco maiores clientes globais de data center e quer reservar entre 60% e 70% da sua capacidade fabril para contratos longos.

• Western Digital: Já possui acordos garantidos até 2029 e negocia extensões que vão até 2031.

Analistas do JP Morgan apontam que, embora esses contratos ajudem grandes empresas de tecnologia a prever custos, eles eliminam a flexibilidade das fábricas para atender a demanda de hardware doméstico.

Consoles, celulares e eletrônicos pagam a conta

O efeito cascata do encarecimento das memórias atingiu todo o ecossistema de tecnologia. A Microsoft reajustou os valores do Xbox Series S e Series X mundialmente, justificando que o custo de armazenamento e memória dos consoles subiu mais de 2,5 vezes e deve continuar subindo nos próximos anos.

A Sony reajustou o preço do PlayStation 5 em diferentes regiões, a Nintendo atualizou projeções para o Switch 2, e empresas como Apple e Amazon repassaram o aumento de custos para notebooks, tablets e dispositivos inteligentes. Relatórios da IDC preveem inclusive uma queda nas vendas globais de smartphones decorrente do aumento de preço dos aparelhos.

A nuvem e os data centers saem ganhando

Projeções da TrendForce indicam que os investimentos das nove maiores empresas de tecnologia em nuvem do mundo devem crescer vertiginosamente, com memórias DRAM e NAND representando até 68% dos seus orçamentos de hardware em 2027.

O próprio CEO da Amazon destacou que o encarecimento das peças para montar infraestrutura própria está forçando empresas a migrarem seus sistemas para a nuvem. Com isso, divisões como AWS, Google Cloud e Microsoft Azure registraram crescimentos expressivos de receita.

Preços disparam em resposta à alta demanda de chips, futuro é incerto para o consumidor
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A grande preocupação levantada pela comunidade é que, se montar um computador gamer se tornar financeiramente inviável para o público geral, jogar via serviços de nuvem acabe se tornando a única alternativa viável a longo prazo.

A presença chinesa e a disputa política

Enquanto as gigantes ocidentais e sul-coreanas focam no setor corporativo, fabricantes chinesas como CXMT e YMTC vêm ganhando participação de mercado no segmento de consumo. A CXMT, por exemplo, já alcançou 10% do mercado global de DRAM em receita.

A expansão das empresas chinesas gera atritos geopolíticos com o governo dos Estados Unidos, que impõe restrições comerciais e pressiona marcas ocidentais a não utilizarem componentes vindos da China, mesmo no segmento consumidor.

Quando o cenário deve melhorar?

Relatórios recentes da TrendForce apontam que os preços de contrato da DRAM e da NAND continuam em trajetória de alta, embora em ritmo ligeiramente mais brando do que nos trimestres anteriores. A consultoria alerta que a oferta de memórias para PCs deve continuar apertada nos próximos anos.

Micron prevê escassez até 2027, com possível redução à partir de 2028
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A leitura de especialistas da indústria é que a consolidação dos contratos de longo prazo reduz a volatilidade do mercado, mas fixa os preços em um patamar consideravelmente mais alto do que o visto em anos anteriores.

E você, está segurando o upgrade do seu PC esperando os preços caírem ou já desistiu de montar hardware nesse cenário? Deixe seu comentário abaixo e participe da conversa!